
No entanto, no final da década de 1940, a política segregacionista instituída com o Apartheid atingiu a todos os setores da sociedade sul-africana. O meio esportivo, por sua vez, não ficou impune às determinações desse regime. Em 1976, o presidente Pieter Botha aprovou um pacote de medidas estabelecendo novas regras para a estrutura esportiva do país, tais como:
1. Cassar as federações unificadas e criar associações específicas para mestiços, indianos e africanos;
2. Criar novas federações raciais, impedindo associações livres;
3. Financiar e ajudar a composição de uma elite negra, reconhecendo sua existência como forma de manter o status quo, e justificando a política segregacionista do regime.
Se até então a Federação Sul-Africana de Futebol estava suspensa do quadro da FIFA, essas proposições foram determinantes para sua expulsão da entidade. Nesse contexto, o futebol transformou-se num dos principais catalisadores da luta contra o Apartheid, tendo como ponto de referência um clube em especial, o Winnie Mandela Football Club. Winnie era o nome da mulher de Nelson Mandela, homem que liderou a luta pela redemocratização africana, e seu time serviria como refúgio para líderes políticos e sindicais perseguidos pelo regime.
(Os Bafana Bafana com o líder Nelson Mandela)
Em 1991, enfim, com a extinsão do Apartheid, a África do Sul seria readmitida no cenário esportivo internacional, sendo aceita de volta pela FIFA em 1992. Com a vitória de Nelson Mandela, a Bafana Bafana (apelido pelo qual é conhecida a seleção nacional de futebol e que significa "garotos", em uma das línguas negras) se tornaria um poderoso fator de coesão nacional, uma das bases da democracia sul-africana. É possível perceber o valor dessa seleção para a nação sul-africana a partir da declaração do ex-técnico, Clive Barker, após a inédita classificação da África do Sul para uma Copa do Mundo, que aconteceria em 1998 na França:
"Hoje eu me sinto mais participante em relação à causa promovida por Mandela. Esta qualificação é a nossa contribuição. Vocês sabem, a Bafana Bafana é o símbolo da democracia sul-africana. O rugby é branco. O cricket é branco. Nós representamos todas as camadas da população. Nós somos a equipe do povo."
Nessa atmosfera de revolução surgiu um partido político um tanto quanto curioso, o Partido do Futebol, que anunciava em seu manifesto:
As manobras dos partidos políticos majoritários para conquistar o poder, particularmente nestes tempos incertos de mudanças, provocam grandes divisões no povo. Nós acreditamos que a liberdade e a verdade triunfam quando a alegria a unidade e a dignidade são os denominadores comuns de uma sociedade. O Partido do Futebol defende o desenvolvimento de uma nação unificada sobre uma plataforma de proposições que venham do esporte, da música e das artes. Estes domínios colocam de lado as divisões políticas e tocam as pessoas na vida cotidiana. Eles criam otimismo, espírito de equipe, confiança e unidade. Uni-vos em torno de seus interesses comuns.